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Salário-Maternidade: Guia Completo de Direitos e Fundamentação Jurídica

  • Foto do escritor: Vanessa Miranda
    Vanessa Miranda
  • há 3 dias
  • 6 min de leitura

Tudo o que você precisa saber para garantir o benefício que a lei assegura


A chegada de um novo membro à família — seja pelo nascimento de um filho ou pela realização de uma adoção — é um momento único, que exige presença, cuidado e tranquilidade. Para que a mulher possa se dedicar integralmente a esse período sem enfrentar insegurança financeira, o ordenamento jurídico brasileiro consagra um direito fundamental: o salário-maternidade.


Apesar de ser um benefício amplamente garantido, muitas mulheres ainda desconhecem suas regras, seus alcances e, principalmente, como fazer valer esse direito na prática. Este guia reúne, de forma clara e juridicamente embasada, tudo o que você precisa saber.


O que é o Salário-Maternidade?

O salário-maternidade é um benefício previdenciário de natureza substitutiva, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cuja finalidade é garantir o sustento da segurada e da criança durante o período de afastamento necessário à maternidade.


Base Legal — Art. 71 da Lei nº 8.213/1991 "O salário-maternidade é devido à segurada da Previdência Social, durante 120 (cento e vinte) dias, com início no período entre 28 (vinte e oito) dias antes do parto e a data de ocorrência deste." (Lei nº 8.213/1991, art. 71, com redação dada pela Lei nº 10.710/2003)

O benefício é devido nas seguintes situações:

  • Parto — nascimento do bebê, independentemente de ser prematuro ou a termo.

  • Adoção ou guarda judicial para fins de adoção, conforme art. 71-A da Lei nº 8.213/1991.

  • Natimorto — conforme jurisprudência pacificada do STJ (REsp 1.102.929), o benefício é devido mesmo em caso de natimorto.


Proteção Constitucional — Art. 7º, XVIII, da CF/1988 "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XVIII — licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias."

Quem Tem Direito ao Benefício?

Um dos maiores equívocos é acreditar que apenas trabalhadoras com carteira assinada têm direito ao salário-maternidade. A legislação previdenciária é ampla e contempla diversas categorias de seguradas.

Seguradas Empregadas — CLT

Para a trabalhadora com vínculo empregatício (CLT), o benefício é pago diretamente pelo empregador, que posteriormente é reembolsado pelo INSS mediante compensação na guia de recolhimento (GFIP/eSocial), conforme art. 72, § 1º, da Lei nº 8.213/1991.

⚖️ Dispensa de Carência

A segurada empregada não precisa cumprir período de carência para ter direito ao salário-maternidade (art. 26, VI, da Lei nº 8.213/1991).


Microempreendedoras Individuais (MEI)

A MEI que efetua as contribuições mensais ao INSS (DAS-MEI) é segurada obrigatória da Previdência Social na categoria de contribuinte individual, fazendo jus ao benefício após cumprida a carência de 10 contribuições mensais.

⚖️ Fundamento Legal

Art. 18-A da LC nº 123/2006 c/c art. 29, inc. X, da Lei nº 8.213/1991. O valor corresponde a 1 salário mínimo.


Contribuintes Individuais e Autônomas

Profissionais liberais e autônomas que contribuem pelo carnê do INSS são enquadradas como contribuintes individuais e, após cumprirem a carência legal, têm pleno direito ao benefício. O valor é calculado com base na média dos salários-de-contribuição.

Contribuintes Facultativas

Donas de casa, estudantes e outras pessoas que optam por contribuir voluntariamente também são protegidas, desde que mantenham a regularidade das contribuições e observem o período de carência.

Seguradas Desempregadas

A mulher que se encontra desempregada no momento do parto ou da adoção pode ter direito ao benefício, desde que ainda mantenha a qualidade de segurada, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.213/1991, que estabelece os chamados "períodos de graça".


Carência: O que é e Quando Se Aplica?

Carência é o número mínimo de contribuições mensais exigidas para que o segurado faça jus ao benefício (art. 24 da Lei nº 8.213/1991). Para o salário-maternidade, as regras variam conforme a categoria:

Categoria

Carência Exigida

Empregada (CLT / Doméstica)

Sem carência (art. 26, VI, Lei 8.213/91)

Trabalhadora Avulsa

Sem carência (art. 26, VI, Lei 8.213/91)

MEI

10 contribuições mensais

Contribuinte Individual / Autônoma

10 contribuições mensais

Contribuinte Facultativa

10 contribuições mensais

Desempregada (período de graça)

Observar art. 15 da Lei 8.213/91


A Novidade: Acesso Facilitado para Autônomas e MEI

Uma importante inovação normativa ampliou o acesso ao salário-maternidade para seguradas sem vínculo empregatício formal. Com base em entendimento consolidado pela Previdência Social e respaldado pela legislação vigente, passaram a ser observadas as seguintes diretrizes:

Nova Regra de Acesso

Para Autônomas, MEIs e Contribuintes Facultativas, uma única contribuição ao INSS pode ser suficiente para

garantir o acesso ao benefício, desde que cumpridos os requisitos de carência e qualidade de segurada.


Essa medida removeu barreiras burocráticas que, na prática, impediam trabalhadoras informais de acessar

um direito que lhes era formalmente assegurado.


⚖️ Atenção — Planejamento é Essencial

Contribuições realizadas após a confirmação da gravidez com o intuito único de obter o benefício podem ser questionadas com base nos princípios da boa-fé e da vedação ao abuso de direito. Recomenda-se fortemente manter contribuições regulares e buscar orientação jurídica especializada.'


Duração do Benefício e Prorrogação

O prazo padrão do salário-maternidade é de 120 dias (quatro meses), conforme o art. 71 da Lei nº 8.213/1991.


Prorrogação para 180 dias — Programa Empresa Cidadã

A prorrogação da licença-maternidade para 180 dias é possível para empresas aderentes ao Programa Empresa Cidadã (Lei nº 11.770/2008). Nesses casos, os 60 dias adicionais são pagos pelo empregador, que deduz o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).


Adoção e Guarda — Prazo Unificado

⚖️ Art. 71-A da Lei nº 8.213/1991 (redação da Lei nº 13.509/2017)

À segurada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devido salário-maternidade pelo período de 120 dias, independentemente da idade da criança adotada.'


Antes da Lei nº 13.509/2017, o prazo variava conforme a idade da criança. A unificação para 120 dias, independentemente da faixa etária, representou um avanço significativo na proteção das mães adotivas.


Cálculo do Valor do Benefício

O valor do salário-maternidade varia conforme a categoria da segurada:

  • Empregada CLT e Doméstica: valor integral da remuneração mensal (art. 72 da Lei nº 8.213/1991).

  • Trabalhadora Avulsa: último salário de contribuição.

  • Contribuinte Individual / Autônoma / Facultativa: 1/12 da soma dos 12 últimos salários de contribuição apurados (mínimo de 1 salário mínimo).

  • MEI: 1 salário mínimo vigente.


⚖️ Teto do Benefício — Importante

O salário-maternidade das empregadas está sujeito ao teto dos benefícios da Previdência Social. Para benefícios acima de determinado valor, o excedente pode ser coberto pelo empregador, conforme as regras da convenção coletiva aplicável.


Como Solicitar: O Passo a Passo

Para Empregadas CLT

  • Comunique seu empregador sobre a gravidez com antecedência.

  • Apresente a certidão de nascimento ou declaração de nascido vivo.

  • O empregador faz o pedido via eSocial e paga o benefício diretamente na folha.

Para MEI, Autônomas e Facultativas

  • Acesse o portal Meu INSS (meu.inss.gov.br) ou ligue para a Central 135.

  • Selecione a opção "Salário-Maternidade".

  • Apresente: certidão de nascimento ou termo de adoção, documentos pessoais e comprovantes de contribuição.

  • Acompanhe o andamento pelo próprio portal.

⏱️ Prazo para Requerimento

O pedido pode ser feito a partir de 28 dias antes do parto previsto.

Após o nascimento, recomenda-se requerer em até 90 dias para evitar perda de período.

Base legal: art. 76 da Lei nº 8.213/1991 c/c art. 103 da mesma lei (prazo decadencial).


Direitos Conexos: Estabilidade no Emprego

A proteção à maternidade vai além do benefício financeiro. A Constituição Federal e a legislação trabalhista asseguram também a estabilidade provisória no emprego.

⚖️ Art. 10, II, 'b', do ADCT — CF/1988

Fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.


A jurisprudência do TST (Súmula nº 244) consolidou que a estabilidade é objetiva: basta a confirmação da gravidez, independentemente de o empregador saber ou não do estado gestacional no ato da dispensa.


Conclusão: Conheça e Exerça Seus Direitos

O salário-maternidade não é favor, não é auxílio emergencial e não é benefício discricionário. É um direito fundamental, constitucionalmente garantido e regulamentado por décadas de legislação previdenciária brasileira. Ele existe para proteger a maternidade, a infância e a dignidade das mulheres trabalhadoras.

Se você está grávida, planeja adotar ou ainda tem dúvidas sobre sua situação previdenciária, o primeiro passo é verificar se suas contribuições ao INSS estão em dia. Regularizar sua situação agora é o que garante que você receba o valor integral, sem atrasos e sem complicações.

📌 Legislação de Referência

• Constituição Federal/1988 — Art. 6º, 7º (XVIII) e Art. 10, II, 'b', ADCT

• Lei nº 8.213/1991 — Arts. 24, 26, 71, 71-A, 72, 73 e 76 (Planos de Benefícios da Prev. Social)

• Lei nº 8.212/1991 — Lei de Custeio da Seguridade Social

• Lei nº 11.770/2008 — Programa Empresa Cidadã

• Lei nº 13.509/2017 — Adoção: prazo unificado de 120 dias

• LC nº 123/2006, Art. 18-A — Regime do MEI

• Decreto nº 3.048/1999 — Regulamento da Previdência Social

• Súmula nº 244 do TST — Estabilidade da Gestante


Ficou com alguma dúvida sobre como dar entrada no pedido ou sobre a sua situação específica?


Deixe seu comentário abaixo ou entre em contato para uma orientação personalizada.



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