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Atrasou o pagamento do INSS? Entenda se esse tempo vai contar para sua aposentadoria

  • Foto do escritor: Vanessa Miranda
    Vanessa Miranda
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Você é autônomo, MEI ou contribuinte individual e deixou de pagar o INSS por um tempo?


Saiba que essa situação é mais comum do que parece — e que existem regras bem definidas sobre o que pode ou não ser regularizado. Antes de sair quitando débitos sem critério, vale entender como a legislação trata esse assunto.


O que diz a lei sobre contribuições em atraso?

A Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social, e o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/1999) estabelecem as regras para o reconhecimento de períodos contributivos. Em linhas gerais, contribuições pagas fora do prazo podem ser aceitas pelo INSS, mas com condições específicas que variam conforme o perfil do segurado e o tempo de atraso.


Sua primeira contribuição precisa ter sido paga em dia

Esse é o ponto de partida e talvez o mais importante. De acordo com o art. 27 da Lei nº 8.213/1991 e o art. 60 do Decreto nº 3.048/1999, para que o período em atraso seja computado para carência, é indispensável que o segurado já tenha realizado ao menos uma contribuição dentro do prazo.

Na prática, isso significa que quem nunca contribuiu e tenta iniciar o vínculo previdenciário pagando tudo de uma vez, de forma retroativa, não terá esse tempo reconhecido para fins de benefício. O INSS não aceita a criação artificial de histórico contributivo sem que haja uma filiação regular como ponto de partida.


Quando é necessário comprovar que você trabalhava no período?

Pagar o débito nem sempre é suficiente. Em determinadas situações, o INSS pode — e costuma — exigir provas de que o segurado efetivamente exerceu atividade remunerada durante o período em atraso. Essa exigência está amparada no art. 45-A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei Complementar nº 150/2015, e nas orientações internas do próprio INSS.

A comprovação tende a ser exigida quando:


O atraso supera 5 anos, período que vai além do prazo decadencial previsto no art. 103 da Lei nº 8.213/1991;

O segurado nunca esteve inscrito como contribuinte individual ou autônomo, o que levanta dúvidas sobre a regularidade da atividade;

O período em questão é anterior à primeira contribuição paga em dia, situação que enfraquece o vínculo previdenciário.


Entre os documentos que podem ser exigidos estão: contratos de prestação de serviço, recibos, notas fiscais, declarações de tomadores de serviço, extratos bancários e registros em órgãos de classe.


Qual o impacto disso na sua aposentadoria?

Contribuições não pagas ou não reconhecidas afetam diretamente dois elementos fundamentais para a concessão de benefícios previdenciários: o período de carência e o tempo de contribuição.

A carência, prevista no art. 24 da Lei nº 8.213/1991, é o número mínimo de contribuições mensais necessárias para que o segurado faça jus a determinados benefícios — como a aposentadoria por idade, que exige 180 contribuições. Já o tempo de contribuição impacta diretamente no valor do benefício calculado conforme as regras da Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019).

Em outras palavras: cada mês não reconhecido pode atrasar sua aposentadoria ou reduzir o valor que você vai receber.


Vale a pena regularizar agora?

Depende — e essa resposta merece atenção. Pagar contribuições em atraso sem uma análise criteriosa do seu histórico previdenciário pode ser, literalmente, dinheiro jogado fora. Isso porque nem todo período em atraso será reconhecido pelo INSS, e o pagamento indevido não garante automaticamente a devolução dos valores.

Antes de tomar qualquer decisão, o recomendado é:


Consultar seu extrato previdenciário pelo aplicativo Meu INSS;

Verificar quais períodos constam como lacunas no seu histórico;

Buscar orientação de um advogado previdenciário ou contador especializado para avaliar se a regularização é viável e vantajosa no seu caso.


A legislação previdenciária oferece caminhos para regularizar contribuições em atraso, mas impõe limites claros. Conhecer essas regras antes de agir é o que separa uma decisão inteligente de um gasto desnecessário. Se você tem dúvidas sobre seu histórico no INSS, não deixe para resolver quando precisar do benefício — porque nessa hora, pode ser tarde demais.

 
 
 

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